terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uma descoberta muito útil.



Por Rafaela dos Santos Oliveira



Curso o primeiro ano de Design de Moda da Faculdade Santa Marcelina  (uma das melhores do país na área) e uma coisa que sempre ouvi dizer (e agora na faculdade tem se tornado mais frequente) é que as pessoas envolvidas na área de Moda são fúteis. Sempre achei estranho por que nunca me considerei fútil, mas sempre pensei levando a mim em consideração e nunca parei para olhar outras pessoas.
Na faculdade, como todo mundo sabe, tem aquela leitura obrigatória que todo professor pede.
Tenho uma professora, Mariana Rocha (não é mera coincidência o sobrenome -  sim, ela é filha da escritora Rute Rocha) comentarista e crítica de moda conhecida e reconhecida que passou três livros como bibliografia obrigatória: Fashion Design, da editora COSACNAIF ( que considero bom), A Moda por Erica Palomino (que na minha opinião fala sobre tudo e acaba não falando sobre nada) e As 100+ O guia de estilo que toda mulher fashion deve ter de Nina Garcia.
Do primeiro, leio capítulos aleatórios dependendo da matéria, do segundo confesso que foi difícil terminar e do terceiro estou lendo e enfim, este me fez descobrir por quê as pessoas consideram profissionais e interessados por moda, pessoas fúteis.
O livro está dividido em capítulos por ordem alfabética e como o próprio nome já diz ele é um guia que ilustra quais são as 100 peças fundamentais que uma mulher fashion deve ter no guarda-roupas.
Como assim 100 peças? Isso as fundamentais, aquelas peças "chave" ou "coringa" como preferirem. Fora as outras. Não é difícil que uma mulher tenha essa quantidade de peças no guarda-roupa, mas pergunte para um homem quantas peças ele tem no guarda-roupa dele. A maioria vai responder entre 20 a 50 no máximo. E é o certo. Pra quê tanta roupa? Falo isso por mim. 
A escritora fala das peças, como elas podem ser usadas, algumas curiosidades do tipo quem inventou ou por que aquela peça foi criada (o que é bem interessante) e cita alguns estilistas ou designers conhecidos.
Quando li o Código Da Vinci do Dan Brown aprendi muitíssimo por que cada obra que era citada no livro eu ia pesquisar para ver como era. Com esse livro (infelizmente) não é diferente. 
Um dos capítulos que me chamou a atenção foi o que falava do colar de pérolas. "Toda mulher fashion tem que ter um colar de pérolas." Toda mulher fashion tem que ser feliz, isso sim! 
Enquanto conversava com uma amiga pelo Skype entrei no site de um dos designers que ela cita no livro. Seu nome é Mikimoto. Se tiver curiosidade coloque no Google imagens. Confesso que os colares, anéis, pulseiras, são lindos. Mas aí a grande questão: o preço. A marca dispõe de colares de 54 mil dólares! Considerando que o dólar está valendo 2,00 reais faça a conta,  108 mil reais num colar de pérolas. PELOAMORDEDEUS!!!!!!!
Adorei o protecionismo da presidenta Dilma em aumentar imposto de produtos vindos da China, na tentativa de segurar a economia, mas confesso ter ido a Feira da Madrugada (que acontece no bairro do Brás em São Paulo e onde no mínimo 50% dos produtos vendidos são chineses) e adquirido dois exemplares (falsos claro!) do famoso colar de pérolas. Mas o detalhe: eu paguei 4,00 reais cada um e voltei pra casa feliz com uma sacolinha cheia de colares e bugigangas.
Mas afinal, é mesmo necessário um colar de pérolas? Existe gente que paga isso num colar? (pior que existe). E aí cheguei a terrível conclusão; as pessoas envolvidas no mundo da moda são fúteis sim e isso inclui a mim (as vezes).
A mídia de um modo geral bombardeia nossos sentidos com produtos de todos os tipos, com propagandas e informações como uma avalanche que vai te engolindo, na finalidade de te fazer mais consumista e querer mais, sempre mais. 
Esse livro trata disso e a cada página que eu leio e que pesquiso sobre aquele determinado estilista me deixa mais enojada e descontente da carreira que eu amo tanto. Claro que não é esse livro que me fará desistir do sonho de uma vida, mas provar para a sociedade e pra si mesmo a diferença que existe entre as pessoas é tarefa difícil.
Cheguei a conclusão (e não é definitiva) que as pessoas se vestem como querem e como se sentem bem e feliz. Não importa se eu, ou a Mariana Rocha ou a Constansa Pascolato não goste. Importante mesmo é a pessoa estar feliz. E é felicidade que a gente busca não é mesmo?
Então a minha dica pra estar sempre na moda, seja feliz!

domingo, 23 de setembro de 2012

São Paulo Incoerente


Quando as luzes se apagarem
Quando as vozes se calarem
Quando nada mais se ouvir
Quando nenhum movimento passar
É por que a Terra cinza sucumbiu

Onde a pressa faz o ouro
Sem que a calma assuma o trono
Luzes, sons, vozes tomam posse
De uma ilha habitada por um povo
Povo forte, luta sempre, agarra a chance
Chance de mostrar a diferença num instante

Muito tempo se soube desta Terra
Tão difícil, tão instável, tão frenética
Trouxe ao mundo um método inconstante
Uma nova história, uma nova era
Uma solução para existir incoerente



video














terça-feira, 7 de agosto de 2012

Quando os trabalhadores perderem a paciência.






As pessoas comerão três vezes ao dia
E passearão de mãos dadas ao entardecer
A vida será livre e não a concorrência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Certas pessoas perderão seus cargos e empregos
O trabalho deixará de ser um meio de vida
As pessoas poderão fazer coisas de maior pertinência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
Quando os trabalhadores perderem a paciência
A pele será carícia e o corpo delícia
E os namorados farão amor não mercantil
Enquanto é a fome que vai virar indecência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Não terá governo nem direito sem justiça
Nem juizes, nem doutores em sapiência
Nem padres, nem excelências
Uma fruta será fruta, sem valor e sem troca
Sem que o humano se oculte na aparência
A necessidade e o desejo serão o termo de equivalência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Quando os trabalhadores perderem a paciência
Depois de dez anos sem uso, por pura obscelescência
A filósofa-faxineira passando pelo palácio dirá:
"declaro vaga a presidência"!

Mauro Iasi ( Professor da UFRJ e membro do Comitê Central do PCB - Partido Comunista Brasileiro )

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Fênix







A Fênix é um pássaro admirável e lindo que vive no Hindus tão. Não tem
companheiro, vive só. Seu bico, muito comprido e liso, é todo furado, como a flauta, e tem quase cem furos. Cada furo produz um som, e em cada som há um segredo especial. Às vezes, ela cria música através dos furos, e ao ouvir as notas que ela emite, meigas e plangentes, pássaros e peixes se agitam e os mais ferozes animais caem em êxtase; depois, todos se calam. De uma feita, um filósofo visitou o pássaro e aprendeu com ele a ciência da música. A Fênix vive cerca de mil anos e sabe exatamente o dia em que vai morrer.
Chegada a hora da morte, reúne à sua volta grande quantidade de folhas de palmeira e, desvairada entre as folhas, desfere gritos merencórios. Pelos furos do bico, emite notas variadas, e a música lhe sai do fundo do coração. Suas lamentações expressam a tristeza da morte, e ela treme qual uma folha. Ao som da sua trombeta, os pássaros e animais se aproximam para assistir ao espetáculo, desnorteados, e muitos morrem por lhes faltarem as forças. Enquanto ainda respira, a Fênix bate as asas e eriça as penas, e, com isso, produz fogo. O fogo se espalha pelas copas das palmeiras, e tanto as frondes quanto o pássaro são reduzidos a carvões acesos e, logo, a cinzas. Mas depois que a derradeira chama tremeluz e se extingue, uma nova e pequena Fênix surge das cinzas.
Nunca sucedeu a ninguém renascer após a morte? Ainda que vivesses tanto quanto a Fênix, morrerias quando se enchesse a medida da tua existência. Os seus mil anos de vida estão cheios de lamentações, e ela permanece só, sem companheiro nem filhos, e sem contato com ninguém. Quando chega o fim, atira as próprias cinzas ao vento, de modo que se possa saber que ninguém escapa da morte, seja qual for o artifício que empregar.
Aprende, pois, com o milagre da Fênix. A morte é um tirano, mas precisamos tê-la sempre em mente. E, conquanto tenhamos muito que aguentar, isso é nada comparado ao morrer.


A conferência dos pássaros - Farid Ud-Din Attar, pag 76,77